Mari & Ana

Citação

22/07/2006

"Mais um de "Cinza Ensolarada""

Autor: Ricardo Lima

Buscar na Web "Ricardo Lima"

Quando: 2003

sonhos

como cacos de vidro

afundam desde a infância

 

flor

como espiga

acende memória

 

perfumes

desfiam perfeição

mas pecam


Escrito por Ana Carla às 20h48
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28/06/2006

"."

Autor: Carlos Drummond de Andrade

Buscar na Web "Carlos Drummond de Andrade"

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim."


Escrito por Ana Carla às 11h21
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22/06/2006

"Poética"

Autor: Vinícius de Morais

Buscar na Web "Vinícius de Morais"

De manhã escureço De dia tardo De tarde anoiteço De noite ardo A oeste a morte Contra quem vivo Do sul cativo O este é meu norte Outros que contem Passa por passo Eu morro ontem Nasço amanhã Ando onde há espaço Meu tempo é quando.


Escrito por Ana Carla às 07h38
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21/06/2006

"Amigos"

Autor: Oscar Wilde

Buscar na Web "Oscar Wilde"

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior e que aproveitem o que há de melhor em mim.


Escrito por Ana Carla às 10h46
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19/06/2006

"SOCORRO NÃO ESTOU SENTINDO NADA"

Autor: JÔ HALLACK

Buscar na Web "JÔ HALLACK"

(Transcrevo um texto que achei sensacional! Quando eu crescer, também quero aprender a escrever.)

Primeiro veio a paixão. Foram noites e dias de sexo selvagem. Serotonina nas alturas. Aquela pouca-vergonha deliciosa antes até de ir para firma. Planos de filhos e de viagens rumo ao Oriente. Vontade de sair pela rua de mãos dadas gritando para todo mundo ouvir: nós somos um casal ultra-cool!!!

Mas o tempo passou. O sexo ainda era ótimo, mas não havia mais a necessidade de soletrar todo o Kama-Sutra pela manhã. Também não saíamos gritando mais que éramos um casal mega-tudo: isso foi substituído por confissões ao pé-do-ouvido. De vez em quando ainda enlouquecíamos e andávamos de carro pelo Aterro do Flamengo ouvindo Roberto Carlos nas alturas, canções escolhidas para trilha sonora do nosso amor.

Depois vieram as brigas. A troca de agressões. Os surtos. A separação. As noites de choro e de interurbanos para pedir colo. As viagens solitárias para Buenos Aires para mostrar que a vida ainda podia ser legal. O mergulho de descarrego na Baía de Todos os Santos. As festas bombásticas para esquecer que um dia você acreditou que o mundo era divino e maravilhoso. Vieram as baladas loucas. Muito confete mas, o coração batendo triste. Como seria bom que tivesse dado certo.

Até que um dia você desencana. Quando se sofre por amor, o que mais desejamos é que chegue este momento: de que a dor passe. E tudo passa. Só que você não está sentindo nada: nem amor, nem ódio, nem mágoa, nem tristeza. Não existem novos amores. Nem o sentimento de vingança para dar algum sentido à sua vida. A única pessoa que te quer no mundo é o Charles Aznavour.

Desencanar é uma merda.


Escrito por Ana Carla às 09h59
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09/06/2006

"Essa ele fez pra mim!!"

Autor: QUIROGA

Buscar na Web "QUIROGA"

Quando: 09/06/2006

Se por acaso o mundo em que você vive não for de seu agrado, imagine outro diferente, e se agarre dessa experiência até conseguir lapidá-la com extrema perfeição. A mente é misteriosa, e seu poder é maior do que se pensa.


Escrito por Ana Carla às 07h17
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03/06/2006

"Tabacaria"

Autor: Álvaro de Campos

Buscar na Web "Álvaro de Campos"

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

Àparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Escrito por Ana Carla às 22h25
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25/05/2006

"Sobre tempos verbais"

Autor: Adélia Prado

Buscar na Web "Adélia Prado"

Ó DEUS, NÃO ME CASTIGUE SE FALO

MINHA VIDA FOI TÃO BONITA!

SOMOS HUMANOS,

NOSSOS VERBOS TÊM TEMPOS

NÃO SÃO ASSIM COMO O VOSSO,

ETERNO


Escrito por Ana Carla às 12h15
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18/05/2006

 

Autor: Ana Cristina César

Buscar na Web "Ana Cristina César"              

Tenho uma folha branca

          e limpa à minha espera:

mudo convite

tenho uma cama branca

          e limpa à minha espera:

mudo convite 

tenho uma vida branca

          e limpa à minha espera:


Escrito por Ana Carla às 07h24
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15/05/2006

"POEMA DE SETE FACES"

Autor: Carlos Drummond de Andrade

Buscar na Web "Carlos Drummond de Andrade"

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

 

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

 

O bonde passa cheio de pernas: pernas

brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus,

pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

 

O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.

 

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus,

se sabias que eu era fraco.

 

Mundo mundo vasto mundo

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.

 

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.


Escrito por Ana Carla às 10h04
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11/05/2006

"Pequeña Serenata Diurna"

Autor: Chico Buarque

Buscar na Web "Chico Buarque"

Vivo en un país libre

Qual solamente puede ser libre

Y nesta tierra y neste instante

Yo soy feliz, porque soy gigante

Amo una mujer clara

Que a mim me ama, sin pedir nada

O casi nada,

Que no és lo mismo, pero és igual

Y si esto fuera poco

Tengo mis cantos, que poco a poco

Ago y reago habitando el tiempo

Como le quadra a un hombre despierto

Soy feliz, soy un hombre feliz

Y peço que me perdonem por estes dias

Los muertos de mi felicidad

Soy feliz, soy un hombre feliz

Y peço que me perdonem por estes dias


Escrito por Ana Carla às 07h07
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02/05/2006

"PELA DEVOLUÇÃO DO NOSSO 171 DO AMOR"

Autor: Xico Sá

Buscar na Web "Xico Sá"

[Esse texto está no blog do Xico Sá (http://carapuceiro.zip.net/index.html), mas achei tão absolutamente sensacional, que resolvi transcrever. Obrigada, Xico!!]

Amigos machos, amigas fêmeas, amigos gays, amigas lésbicas, amigos transexuais, operadas, amigos de todas os naipes e naturalezas... Sabem de uma coisa que acho massa, o máximo, nos tais tempos que correm em la carreteira da existência? A apropriação do discurso masculino por parte das mulheres, já notaram? Não chega a ser propriamente um plágio, mas é uma beleza, quase, quase!

E nos interessa sobretudo a enganação-mor, o clássico dos clássicos da nossa principal desculpa. Aquela usada desde priscas eras, saca?

Então dois pontos para acochambrar os parafusos da memória: “Estou confuso, não é culpa sua, você é ótima, mas acho que não vou lhe fazer bem nesse momento, bla-bla-bla-bla”.

Haja enganação, nove horas, truque, fraude...

Já ouviram esse fragmento do discurso nada amoroso, né?

Pra completar: “Você merece algo melhor!!!”

Repito, era um clássico das desculpas dos machos. A nossa maior falta de vergonha na cara. Agora, faz favor, bote um “o” no lugar do “a”.

Pronto.

Sim, agora ouvimos a mesma ladainha da boca das moças, o mal é o que sai de onde menos esperamos, poxa!

Já faz tempo que essa desculpa _ “ESTOU CONFUSA...”­_ só sai da boca delas.

Não faz mal, quantas vezes não usamos do mesmo artifício, da mesma falta de argumento, tá legal, eu aceito o fingimento...

Mas por favor, crias das nossas costelas, devolvam o meu caô, o meu 171, o meu agá, a minha enganação-mor, a minha forma de me livrar mais fácil e, de preferência, de forma indolor.

Encanta-me o avanço das mulheres em todos os campos, só é desnecessário o quase plágio dos nossos discursos. Vocês não carecem disso, vocês são mais sofisticadas, lindas e labirínticas.

“Estou confusa...”

Isso era apenas coisa de macho frouxo, não de elegantes mademoiselles. Tudo bem que vocês, belas raparigas, avancem em tudo, mas não careciam furtar logo o pior dos nossos defeitos.

Somente nesta última semana, deparei-me com quatro amigos sorumbáticos e macambúzios, perdidos pelos bares, buscando salvação no divã dos garçons e no pileque. Todos vítimas do “eu estou confusa, não é culpa sua... nhenhenhén etc”

Devolvam o nosso discurso picareta, façam-me favor!

Nosso 171 de volta!

Já!

Pronto, acabou!


Escrito por Ana Carla às 11h01
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31/03/2006

"SAWABONA"

Autor: FLÁVIO GIKOVATE, médico psicoterapeuta

Buscar na Web "FLÁVIO GIKOVATE, médico psicoterapeuta"

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que se responsabiliza o outro pelo seu bem-estar. A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem que saber o que eu não sei. Uma idéia prática de sobrevivência, pouco romântica, por sinal. A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor-necessidade, pelo amor-de-desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. Ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente sozinho, mas preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventa-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. O amor de duas pessoas é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito de ser amado, nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. SAWABONA = é um cumprimento usado no sul da África que quer dizer EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO. VOCÊ É IMPORTANTE PARA MIM. Em resposta, as pessoas dizem SHIKOBA = ENTÃO EU EXISTO PARA VOCÊ.


Escrito por Ana Carla às 12h17
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21/03/2006

"O bem e o mal"

Autor: Danilo Caymmi

Buscar na Web "Danilo Caymmi"

Eu guardo em mim

Dois corações

Um que é do mar

Um das paixões

Um canto doce

Um cheiro de temporal

Eu guardo em mim

Um deus um santo

Um louco um bem e um mal

Eu guardo em mim

Tantas canções

De tanto mar

Tantas manhãs

Encanto doce

Um cheiro de vendaval

Guardo em mim

O deus o louco

O santo o bem e o mal

Eu guardo em mim

Tantas canções

De tanto mar

Tantas manhãs

Encanto doce

Um cheiro de vendaval

Guardo em mim

O deus o louco

O santo o bem e o mal

O bem e o mal


Escrito por Ana Carla às 13h52
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20/03/2006

"Insulfilm"

Autor: Tiago Felizziani

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Quando: 20/03/2006

Você me disse pra tomar cuidado com o teu coração, que era de vidro.

Percebi tarde demais.

De vidro, sim.

Gelado.


Escrito por Ana Carla às 16h57
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